quinta-feira, 20 de outubro de 2016

Sociedade Esportiva Jornalismo

Por Mauro Beting 


Sou jornalista esportivo há 26 anos por ser palmeirense há 50. Filho de Joelmir Beting, que tinha uma frase escrita no antigo vestiário do Palestra Italia, e hoje dá nome a uma das salas de imprensa do Allianz Parque.

Joelmir Beting


Fui um dos cinco embaixadores oficiais do centenário do clube (ao lado de Ademir da Guia, Dudu, Marcos e Evair). Apresentei quatro banquetes de aniversário do clube (gratuitamente, e economizando dinheiro do clube na contratação de outro profissional) em três administrações distintas. Também apresentei a festa popular do centenário na Praça da Sé. Essa foi a única que cobrei dos organizadores – para pagar a multa de outro evento que faria no mesmo dia e horário. O Palmeiras nunca me deveu nada. Embora eu quase fui cobrado indevidamente por um ex-presidente que me processou. Mas ele perdeu na Justiça. 



Apresentei eventos como novas camisas do time, novo nome do estádio, novo projeto de sócio-torcedor, novo estádio. Fiz roteiro de filme de celebração da conquista da Copa Brasil de 2012 – narrado pelo meu pai. Apresentei a festa dessa conquista no gramado da Academia. Fiz locução de vídeos em festas do clube. Fiz o texto da página oficial do centenário no dia dos 100 anos. Fiz o texto para o ingresso do último jogo do Palestra. Fiz o texto e/ou vídeo para cinco preleções para atletas antes de partidas (3 vitórias e 2 derrotas – inclusive a da semifinal do SP-15 em Itaquera). O pai também fez para o elenco a preleção no dia da conquista da Mercosul em 1998. Fui mestre de cerimônias da abertura do Allianz Parque e da despedida de Alex. Tudo de graça. 

A estreia do primeiro documentário que dirigi foi o primeiro evento do Allianz Parque. O segundo documentário oficial do clube – PALMEIRAS – O CAMPEÃO DO SÉCULO, também foi dirigido e roteirizado por mim. Além do filme oficial do centenário, escrevi o livro oficial do centenário do clube – a pedido do clube, mas remunerado pela editora. Também escrevi mais seis livros do Palmeiras e de palmeirenses. Como as autobiografias de Marcos e Evair, best-sellers que, como os filmes e os livros, dão dinheiro ao Palmeiras. Muito dinheiro. Como também ajudei outros clubes com livros que escrevi do Flamengo e Atlético Mineiro, pagando o que era devido por receita gerada. O mesmo feito com o Museu da Seleção da CBF e Museu Pelé. E, indiretamente, com prefácios, orelhas e textos para livros do Corinthians, São Paulo, Santos, Vasco, Botafogo, Inter, Grêmio, Atlético Mineiro e Cruzeiro, também mais dei do que jamais tirei. 

Rivais diretos do meu Palmeiras são escritos e descritos com enorme prazer de ofício.  Como não tem nome e muito menos número falar da maior paixão. Clube que jamais cobrei dinheiro algum – por não poder cobrar uma instituição que cubro como jornalista, e por não ter preço o amor. Sou também curador da Cantina Palestra. Outro empreendimento que paga royalties devidos ao clube. Isto é: outra vez trabalho para dar mais dinheiro ao Palmeiras sem cobrar nada. Não é virtude. Apenas dever. 
Fiz várias ações institucionais para o Allianz Parque e/ou WTorre em nome do estádio, do Palestra Italia ou do Palmeiras, e para os palmeirenses. Fiz vários eventos na Academia Store e encontros, palestras e eventos com palmeirenses e a respeito do Palmeiras. Todos, quando pagos, ou quando cobro, são remunerados por patrocinadores ou parceiros do clube. Como também os vídeos para a TV Palmeiras, apresentação do Palmeiras Gamers Night, campanhas institucionais das redes sociais do clube, e coluna mensal na Revista do Palmeiras. Todos eles gratuitos. 

Em nome sem preço e por apreço ao Palmeiras. Jamais por números e pondo preço para o Palmeiras. Sempre de graça. Pela nossa graça que é o Palmeiras. Para desgraça de patrulheiros que querem enxergar alguma ligação além da umbilical com o clube. Para desgraça dos paltrolleros (palestrinos que trollam nas redes sociais) que me chamam de palmeirense de ocasião, vendedor de livros, vendedor de DVDs,  vendedor da alma, vendedor de palestras. Ou do próprio Palmeiras. 

Eles e não poucos irmãos de credo e de cores pretendem que eu seja porta-saco de diretor, porta-berro da arquibancada, ou burro como uma porta para distorcer em nome na minha paixão. Ela não tem preço. Não sou pago para ser palmeirense. Sou pago para ser jornalista. 

Como ser humano tenho o direito de ser palmeirense. Como jornalista esportivo tenho o dever de não distorcer pela minha paixão. Clubismo não é assumir o time pelo qual torce. Clubismo é não disfarçar o que distorce contra quem não torce
Sou um palmeirense que é jornalista, não um jornalista palmeirense. Vou me aposentar do jornalismo. Jamais do meu primeiro amor incondicional. O Palmeiras que amo de útero. Filho de palestrinos. Pai de palmeirenses. Marido de uma palmeirense linda de olhos e coração verdes. Mãe de uma linda palmeirense. 
Amor incondicional que me faz entender outros amores de outras famílias. Só pode tentar entender a loucura que é o futebol quem se mantém insano e intenso como torcedor. Ninguém entende mais do time que o torcedor. É dever jornalístico tentar ser ainda passional ao mesmo tempo em que se pretende ser isento, imparcial, objetivo e plural. Subindo em cima do muro para ver os vários lados, credos e cores. Buscando a melhor versão possível dos fatos. Mas sem abrir mão e coração da paixão.
 Jornalista esportivo pode deixar a camisa no fundo do armário. Só não pode inventar time pelo qual torce. Ou deixar de torcer. Se deixa de torcer perde capacidade de ver o esporte com o que ele tem de mais fantástico. Tudo aquilo que nos une em um grito de gol de corneteiro. Tudo aquilo que nos desune em um grifo de comentarista. 
Paixão não é incompatível com o exercício de nenhuma profissão. A única coisa incompatível é cobrar por ela. Ser cobrado por ser torcedor e jornalista faz parte.  Só não pode partir para a intolerância. Como tem sido exageradamente criticado meu caro xará Mauro Cezar Pereira. Por mais que ele também não tolere quando é cutucado ou criticado, ele é outro cara de arquibancada. Merece respeito. Ainda mais quando abre o jogo e o coração. 


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