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quarta-feira, 9 de novembro de 2016

Emily Lima fala sobre capacitação e treinar times masculinos

Durante sua apresentação oficial como treinadora da seleção brasileira feminina de futebol, Emily Lima falou sobre treinar times masculinos. 

"Quando estava fazendo o curso de técnico da CBF recebi um convite do técnico do São José dos Campos para fazer junto toda a preparação para a Copinha (Copa São Paulo de futebol júnior).  O Guilherme me convidou e seria a primeira vez que eu iria ter essa experiência com homens. Isso já era uma ideia que estava tendo. Não de sair totalmente do feminino, mas de buscar outros desafios e conhecer outro lado do futebol, pois vejo que é bastante diferente. Hoje meu foco é aqui e vou focar 24 horas da minha vida para fazer o melhor trabalho possível e conquistar as competições que teremos nesses quatro anos".
(Foto: Cíntia Barlem)

Além disso, Emily abordou outro tema importante, que é a capacitação de mulheres para serem técnicas de futebol.
"A CBF vem pensando muito nas mulheres tanto que estou aqui. Estive conversando com pessoas e eles vão começar a dar bolsas de estudos dessas licenças de técnico para mulheres. Para nós que trabalhamos com futebol feminino, é muito difícil  ter esse tipo de curso. Foi o melhor curso que fiz, o da licença B. Saí de lá  transformada e com outra cabeça. Para nós, que nos clubes quase não recebemos e precisamos de outra renda para viver,  esse curso é caro, mas vale fazer. Quero ajudar essas atletas que querem ser técnicas conversando com o presidente porque vejo também que elas não querem buscar  ser treinadoras e sim outras áreas como fisioterapia ou preparação física. Poucas querem dar sequência não sei se pela dificuldade passada como atleta. Mas é vital  estudar. Hoje, aqui, eu não posso achar que eu estou preparada, eu tenho que estar preparada. Preciso saber que estou preparada para assumir a seleção. Queria e quero poder ver outras mulheres assumindo não só a seleção, mas outras categorias".

quarta-feira, 24 de agosto de 2016

Cúpula da CBF discute extinção de seleção permanente de futebol feminino

Por Martin Fernandez e Vicente Seda


O desempenho do futebol feminino no torneio olímpico pode ter um impacto ainda maior para o esporte no país do que ter terminado sem medalha. Há gente muito influente na entidade defendendo uma revisão, após a Rio 2016, do custeio de uma seleção permanente, com a CBF pagando mensalmente as jogadoras. Um dos figurões da entidade, em conversa informal com o blog, não viu vantagens para a confederação em manter o modelo e fez a seguinte leitura: o resultado não veio, elogios pela iniciativa também não, e sobrou apenas a conta para pagar. O trabalho de Marco Aurélio Cunha, no entanto, é bem avaliado internamente.

A tendência é de que o trabalho de monitoramento e desenvolvimento do esporte continue - nos últimos dois anos centenas de atletas no Brasil e no exterior foram observadas -, mas o conceito de seleção permanente está no cadafalso. Disse o dirigente que apesar dos esforços o futebol feminino não "pega" no Brasil - embora muita gente tenha se empolgado com o desempenho inicial da seleção feminina, especialmente enquanto a masculina sofria na primeira fase olímpica. Certo é que nos próximos dias esse tema será discutido.


Um ponto é bastante sensível: a Fifa, com quem a relação de Marco Polo del Nero pode azedar a qualquer momento por conta de uma investigação do Comitê de Ética iniciada em novembro do ano passado, tem como uma das suas bandeiras o desenvolvimento do futebol feminino - e dá alguns recursos à CBF com este fim. O novo presidente, Gianni Infantino, promoveu a entrada de mais mulheres no Conselho - ex-Comitê Executivo - e deu a uma mulher a secretaria-geral, o segundo cargo na hierarquia da entidade. A extinção do modelo de seleção permanente, uma peculiaridade do esporte no Brasil, pode não inspirar muita simpatia em Zurique.

Infantino visitou a CBF recentemente. Há quem diga que foi vítima de uma armadilha política de Del Nero e não ficou nada satisfeito em participar da reunião na sede da entidade. Mas os caciques da CBF negam a história com veemência. De qualquer forma, como já ficou claro quando a Fifa tentou punir Del Nero com devolução de verbas da entidade - e depois voltou atrás por pressão da CBF por não haver condenação -, a relação entre as entidades depois dos escândalos de 2015 é instável. 

O panorama para o futebol feminino brasileiro, sem competições realmente fortes e apoio efetivo para boa parte das as atletas fora da seleção, é incerto.

Este post foi visto antes aqui.

quarta-feira, 17 de agosto de 2016

Olímpicas 6: para CBF, clubes que não montam times femininos de futebol têm que fazer sua parte

Por Mauro Cezar Pereira

Marta & Companhia estão em alta. As mulheres que formam a seleção brasileira de futebol têm lotado os estádios onde jogam e sido elogiadas, contam com a simpatia do torcedor e alcançam visibilidade inédita para a modalidade no país. Mas e depois dos Jogos Olímpicos, a carruagem vai virar abóbora? O sonho irá acabar?
Afinal, o que está sendo feito e o que mais pode ser providenciado para aproveitar o momento? O blog entrevistou Marco Aurélio Cunha, coordenador de Futebol Feminino da CBF, que fala sobre planos e dificuldades enfrentadas e cita o desinteresse dos clubes mais tradicionais, que em maioria sequer têm times formados por mulheres.

Foto: Divulgação / CBF
Marco Aurélio Cunha, coordenador de Futebol Feminino da CBF: clubes não têm times
Existem possibilidades reais de a CBF criar um torneio sério de Futebol Feminino, caso o as meninas conquistem o ouro, pontos corridos, calendário ano inteiro?

Marco Aurélio Cunha: Sempre desejamos isso. Na TV aberta? Na fechada? Quem paga viagens com tantos jogos? Os clubes estão dispostos? Meu São Paulo não tem time feminino. O Flamengo é a Marinha. Primeiro os clubes têm que fazer sua parte.



Em suma, embora o Profut cobre, os clubes não montam times femininos e por isso a CBF não faz um calendário longo?
Marco Aurélio Cunha: O Profut não obriga a ter times disputando campeonatos profissionais e sim em " fomentar " a modalidade, ou seja, escolinhas e base. Poderia ser mais exigente.
Hoje quantas equipes adultas estariam aptas a disputar um campeonato brasileiro pelo ano todo, como no masculino?
Marco Aurélio Cunha: Nem 10 nesses moldes, pagando custos. Nosso campeonato, por fases de classificação tem 20 times. E menos jogos por isso.
É inviável um calendário mais longo pela pequena quantidade de times?
Marco Aurélio Cunha: Viável é sim. Teríamos que estimular e subsidiar como é feito, mas em maior volume financeiro. A Caixa Econômica dá 10 milhões para o Campeonato via Sport Promotion.
Por que?
Marco Aurélio Cunha: Porque tem os direitos do campeonato. Ninguém queria no passado da CBF e eles fazem.
Você luta para o campeonato ficar sob a batuta da CBF, certo? Acontecendo, quais seriam as medidas mais imediatas viáveis, aproveitando o momento olímpico e a visibilidade que proporciona?
Marco Aurélio Cunha: Eles fazem bem, mas têm seus limites e interesses legítimos. 
Eu prefiro que num breve futuro sejamos capazes de fazer. Mas temos que respeitar.

O que pôde acontecerá de positivo no curto prazo em função dos jogos olímpicos?
Marco Aurélio Cunha: Difícil falar agora. O ganho visual da modalidade foi fundamental. Depois da Olimpíada vão todas para o exterior. É criar um novo ciclo olímpico com as mais jovens e manter o trabalho estruturando base e cobrando dos clubes sua participação.
O que acontecerá com as meninas que saíram de seus clubes para, pelo menos momentaneamente, integrar a seleção permanente?
Marco Aurélio Cunha: Elas todas já estão se acertando com clubes de fora. As que ficarem manteremos treinando com as Sub-20 ou jogando em clubes do Brasil. É preciso saber o que elas vão fazer, temos já acertado um amistoso com a seleção francesa em setembro, na França, o torneio de fim de ano em Manaus. Temos agenda em datas Fifa.


As cinco atletas da seleção permanente deverão sair do país?
Marco Aurélio Cunha: Foram encontrando propostas interessantes a partir de março e saindo. Isso deve ocorrer novamente. Talvez com as goleiras não. Outras se acertam com clubes do Brasil. A seleção pode ser permanente, as atletas não.
Elas não ficarão sem mercado, quem não for para o exterior e ficar sem clube aqui no Brasil segue na seleção permanente?
Marco Aurélio Cunha: Essa é a ideia aprovada. Tem uma que rompeu o tendão de Aquiles pelo Iranduba de Manaus e está sendo tratada em São Paulo, onde foi operada em apartamento alugado pela CBF, recebendo salários e diárias como as convocadas, chama se Thayla, zagueira. É assim que eu trabalho. Aconteceu com a Bruna Benites e com a Debinha, que hoje estão na Olimpíada. Lesão de cruzado anterior. Tratadas nesse mesmo procedimento e hoje reabilitadas e jogando na seleção permanente. Bruna me disse que após Olimpíada irá para a Noruega. Olha o que a seleção permanente proporcionou a ela.
A CBF arrecada bem com o futebol masculino, parte dessa verba subsidia o feminino, certo? O que mais a confederação pode e pretende fazer?
Marco Aurélio Cunha: Acho que ela pode estimular campeonatos, torneios, fazer como está fazendo. Temos duas seleções classificadas nos mundiais Sub-17, em setembro e outubro na Jordânia; e Sub-20 na Papua Nova Guiné, em novembro. E estão indo aos Estados Unidos, a Sub-17 fez dois jogos com a seleção americana há alguns dias, 2 a 2 e 1 a 1 em Chicago. A Sub-20 vai para um torneio em Los Angeles, todos preparatórios para os Mundiais. Todos os custos, passagens, pagos pela CBF.

Foto: Getty Images
Marta: carisma junto ao público na Rio 2016 dá inédita visibilidade ao futebol feminino
A CBF deixou de cumprir promessas, com jogadoras sem carteira assinada e benefícios?
Marco Aurélio Cunha: É só perguntar para as que estão na seleção. A CBF propôs, houve um questionamento se não perderiam o Bolsa Atleta pelo registro. Depois de recolhidas as carteiras e feito um estudo jurídico sobre o assunto, que era inédito. Por isso demorou, a própria Suntaque (goleira), quando eu não ainda não estava na CBF; veio comunicar que não queriam mais o registro por receio de perder a Bolsa Atleta. Agora vem com isso porque, já veterana, perdeu espaço na Seleção.
Algum contato com os clubes foi ou será feito para que montem mais times femininos e a modalidade cresça?
Marco Aurélio Cunha: A todo momento conversamos com presidentes de federações para que incentivem estaduais da modalidade, campeonatos Sub-20 e Su-17. Eles estão estimulados a fazer. O problema é o custeio dos clubes, almoço, viagem e hotel custam caro. E as distâncias, enormes. O problema está aí, além dos campos, vestiário, material esportivo, alojamentos...
Não seria razoável regionalizar competições? Pela logística?
Marco Aurélio Cunha: Ela já é regionalizada, o que faz diminuir o número de jogos. Mas todos querem enfrentar os times do Sudeste, até para apresentar suas jogadoras. O grande futebol feminino está em São Paulo. Regionalizado totalmente perdemos bons times no início da fase eliminatória e não conhecemos revelações de longe.
A televisão mostra quantos jogos aproximadamente?
Marco Aurélio Cunha: A TV Brasil, acordo do governo com a Sport Promotion. Neste último campeonato pedi a todas fechadas e consegui com a Sportv, que passou alguns jogos e as finais. Já foi bom.
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terça-feira, 27 de novembro de 2012

Felipão está de volta à Seleção Brasileira

Por Blog do Paulinho 

Após uma reunião realizada na residência do presidente da CBF, José Maria Marin, Luis Felipe Scolari acertou seu retorno à Seleção Brasileira.

Faltam apenas pequenos detalhes, que não devem obstruir o que já foi apalavrado.

O anuncio oficial deve ser feito em breve, logo após a assinatura do compromisso.

Murtosa será um de seus auxiliares, mas, tudo indica, Milton Cruz, do São Paulo, pode também fazer parte da comissão técnica.

segunda-feira, 26 de novembro de 2012

Felipão e Parreira na mira e Guardiola não deve ser convidado para a Seleção

Com a demissão do técnico Mano Menezes do comando da Seleção Brasileira, houve gente que chorou pela leite derramado. Paciência. Agora é tempo de (mais uma) renovação e a eterna busca pelo renascimento do futebol arte brasileiro, que não aparece há tempos.

Para isso, O presidente da FPF, Marco Polo Del Nero, também vice-presidente da CBF, junto com José Maria Marin, presidente da entidade, tomaram a decisão que pode ser anunciada nos próximos dias: Felipão para técnico.

O ex-treinador do Palmeiras só não assumirá a seleção se não decidir aceitar o desafio de  comandar um time que, assim como o Palmeiras, tem uma 'diretoria' em completa bagunça.

No meio disso tudo, há Josep Guardiola.

O ex-treinador do Barcelona não vai assumir a seleção, porque não será convidado. Apesar de na sexta-feira, em conversa com enviados do diário LANCE!, dizer que assume a seleção brasileira sem problemas. 

Fato é que são poucos os 'cardeais' que admitem um estrangeiro treinando a Seleção Brasileira. 

No Rio de Janeiro, há quem afirme que Carlos Alberto Parreira será o próximo treinador da seleção. Seu nome só deve ser anunciado em janeiro.

quarta-feira, 5 de setembro de 2012

Diferenças entre Felipão e Mano Menezes

Por Tostão

“Até o Mundial de 2014, muitas coisas ainda poderão mudar no time e no comando técnico.

Independentemente dos resultados e das atuações da equipe, até a Copa das Confederações, Mano Menezes, com seu discurso tecnicista,sorriso pela metade e pouca demonstração de emoção, nas derrotas e nas vitórias, dificilmente vai empolgar o torcedor, mesmo quando o time jogar bem.

Já Felipão, com suas frases e gestos engraçados e espontâneos, com seu jeito agressivo e, algumas vezes, carinhoso, costuma levantar o torcedor, até quando o time joga mal.

A turma que decide, formada pelos dirigentes da CBF, marqueteiros, parceiros e investidores, está atenta. Já conversa e cochicha.”

quinta-feira, 23 de agosto de 2012

sexta-feira, 8 de junho de 2012

Cortes de Mano Menezes demonstram submissão a José Maria Marin

Por Blog do Paulinho 

Temeroso com seu próprio futuro na Seleção Brasileira, o treinador Mano Menezes passou a acatar “pedidos” do presidente da CBF em suas convocações, diminuindo consideravelmente os habituais “truques”, que tanto beneficiaram seus amigos empresários.

A maior demonstração de sua submissão ficou por conta do anuncio, ontem, de alguns cortes na lista de prováveis convocados às Olimpíadas.

Ronaldinho Gaucho, tido como “símbolo” do torneio pelo treinador, ficou de fora, assim como os “craques” do Shakhtar Donetsk, presentes em todas as listas da era Teixeira.

Apenas um, Douglas Costa, foi relacionado, e pode até ser chamado, evitando assim o rompimento do “contrato” oculto entre Mano Menezes e o empresário Franck Henouda, que manda e desmanda na equipe Ucraniana.

Para finalizar, Hernanes também foi preterido, mesmo sendo um dos melhores do mundo em sua posição.

Mas, neste caso, nada teve a ver com influências externas, mas sim com a já conhecida birra do treinador, que quando pega bronca de alguém esquece de que o lado pessoal não deve prevalecer sobre o profissional.

segunda-feira, 26 de março de 2012

Ronaldo tem planos de assumir a CBF

Por Robson Morelli
Ronaldo está pronto para assumir o comando da CBF, se for preciso. Ele tem comentado isso a amigos. E faz parte de seus planos levar para a entidade máxima do futebol brasileiro gente em quem confia. Entenda-se: amigos de dentro e fora do futubol. A Copa de 2014 é apenas parte dos planos e interesses de Ronaldo para sua carreira de dirigente esportivo.

O caminho está sendo preparado para que o Fenômeno tome conta de tudo. Carisma para isso ele tem de sobra. Entendimento do futebol brasileiro também, apesar de ter jogado anos na Europa. Goza ainda de prestígio na Fifa e também entre os dirigentes internacionais, como Michel Platini, da Uefa.

Ronaldo também já diagnosticou entre seus pares dirigentes do futebol nacional muito amadorismo, pouca habilidade e quase nenhuma liderança. Ricardo Teixeira deixou um buraco enorme em seu terreno. Isso explica, de certa forma, a preferência de momento pelo presidente da FPF, Marco Polo del Nero, agora homem forte da Fifa, que se destaque nesse mar sem ondas. O fato é que todos só olham para o próprio umbigo. E assim devem continuar. Refiro-me aos presidentes das federações estaduais.

Se nada mudar nos próximos dois anos, até janeiro de 2015, e se Ronaldo permanecer no Brasil depois da Copa que ajuda a organizar, é bem provável que ele consiga seus objetivos de comandar a CBF. Ele terá esse período para se fazer o Escolhido. 

quinta-feira, 15 de março de 2012

Mudança na CBF deixa jogadoras da Seleção reticentes


Por Helder Júnior para a Gazeta Esportiva

A renúncia de Ricardo Teixeira à presidência da Confederação Brasileira de Futebol (CBF) não empolgou nem entristeceu a maioria das jogadoras da Seleção feminina. Acostumadas às condições adversas de trabalho, as atletas não têm motivos para apostar em uma melhora significativa em seu departamento após a efetivação de José Maria Marin como novo mandatário da entidade. 

Continuará tudo igual”, avisou a zagueira Alline Calandrini, a Calan, que passou por uma cirurgia no joelho há seis meses, perdeu espaço e não tem mais esperanças de disputar as Olimpíadas de Londres. “O novo presidente mesmo falou que só daria continuidade ao trabalho do Teixeira. Não foi uma chapa diferente que assumiu. Por isso, não espero muita coisa dele. Se tiver uma atenção maior ao futebol feminino, ótimo. Mas não acredito nisso”, completou, cabisbaixa. 

A manhã da segunda-feira, contudo, era de alegria para Calan e nove de suas companheiras que haviam ficado desempregadas com a extinção do time de futebol feminino do Santos. Elas foram apresentadas como reforços do Centro Olímpico, com apoio da Prefeitura de São Paulo e até de empresas cariocas, em um projeto que pretende dar sustentação à Seleção Brasileira. 

Um das estrelas da nova equipe do Centro Olímpico, a atacante Érika tentou ser comedida quando subiu no palco e falou publicamente sobre a troca de comando na CBF. “Tenho que agradecer ao Ricardo Teixeira pelo que proporcionou ao futebol feminino enquanto esteve ali”, disse, de maneira protocolar. “Agora é acreditar. Não cabe a mim nem a nenhuma jogadora dizer se a saída dele foi boa ou não. É difícil falar, pois a gente só espera a ajuda dos dirigentes, sem poder fazer muita coisa.” 

Não demorou muito, contudo, para Érika também deixar transparecer a sua dúvida em relação às melhorias na Seleção Brasileira feminina. “A gente vai precisar ter um pouco mais de contato com o novo presidente. Se ele der oportunidade, poderemos usufruir da estrutura de uma maneira boa. Por que não? Agora, se ele não gostar de futebol feminino, será complicado”, afirmou, com uma expressão de quem já está habituada à hipótese pessimista. 

Com outras preocupações no momento, José Maria Marin ainda é desconhecido das atletas da Seleção. Ex-jogador do São Paulo, o dirigente de 79 anos também já foi governador do Estado por cerca de um ano, quando Paulo Maluf pediu licença para se candidatar a deputado federal, em 1982. Mais recentemente, ficou conhecido por embolsar a medalha que seria destinada ao goleiro Matheus Caldeira, do Corinthians, durante a festa de premiação aos últimos campeões da Copa São Paulo – uma cortesia da Federação Paulista de Futebol (FPF), segundo ele. 

Queremos conhecer esse novo presidente. Nunca tinha ouvido falar dele antes. Espero que nos ajude da melhor forma possível. Ficamos na expectativa”, disse a lateral Maurine, timidamente. “De todas as formas, é uma nova pessoa ali dentro da CBF. Vamos tentar acreditar que as coisas boas acontecerão”, acrescentou Érika. 

As jogadoras têm seus motivos para questionar os rumos da Seleção Brasileira feminina. Não era incomum elas cederem espaço na Granja Comary até para as categorias de base dos times masculino. Os atrasos nos pagamentos de premiações também incomodaram algumas delas. As campeãs sul-americanas de novembro de 2010, por exemplo, só receberam os quase R$ 4 mil por esse título em junho de 2011, na véspera da convocação para o Mundial. 

Com a extinção do Santos e de outras equipes femininas, a preparação das atletas em ano olímpico também foi prejudicada. “Sem dúvida. A indefinição é horrível. A gente acaba treinando só na Seleção, sem ter nem outros times para enfrentar”, lastimou Érika, feliz, porém, com o fato de ter passado a contar com modernos testes físicos e clínicos oferecidos pelo Comitê Olímpico Brasileiro (COB). “Com isso, eles sabem exatamente o que as atletas podem doar, o que comer, como não se cansar. Estamos melhorando”, sorriu Maurine.

sexta-feira, 18 de novembro de 2011

Teixeira e Sanchez e o mundo fecal do futebol brasileiro. Estamos bem?


Por Quartarollo

Um diz que não está nem aí com as denúncias e que está “fazendo um montão” pra tudo isso e o outro diz para os seus conselheiros que não vê a hora de largar “essa merda” se referindo ao mandato de presidente do Corinthians prestes a se encerrar.

Estamos bem, não? É de dirigentes assim que precisamos. Que Deus nos ajude, isso sim.

Não sei se Andrés fala assim por descaso, por cansaço, por despeito ou porque se arrependeu de ter mudado o Estatuto do Corinthians não permitindo reeleição no clube.

Foi a chamada cláusula anti-Duabli, presidente que se eternizou no poder e transformou o Corinthians num time de segunda divisão.

Eu achei a medida salutar e exemplar para o futebol brasileiro, mas também aceitaria que houvesse pelo menos uma reeleição.

Acho justo. Se a administração está bem, não há porque não deixar o presidente trabalhar em mais uma gestão.

O que não pode é virar dono e tomar conta da cadeira eternamente.

Agora quando está perto de deixar o cargo, promete sair em 15 de dezembro, Andrés tentou mexer no Estatuto de novo e teve o repúdio dos homens do Conselho e é claro, da oposição, hoje pequena, mas atuante no Parque São Jorge.

Andrés deixará ótimo legado para a história do Corinthians. Foi um bom presidente e assumiu numa hora das mais difíceis.

Conseguiu equalizar dívidas altas (aquela do Nilmar foi um roubo e um rombo que a administração anterior deixou na conta do clube), pagou jogadores e técnicos que estavam pendurados na justiça há muito tempo, montou um time que foi campeão da Série B, voltou à Série A, contratou o técnico que hoje está na Seleção, ousou na contratação e no marketing com Ronaldo, montou um time melhor para a Série A e está próximo de ser campeão brasileiro, fez um Centro de Treinamento dos mais modernos e ainda deixará um Estádio em construção com custo zero para o Corinthians e aumentou a rivalidade com o São Paulo, então o melhor time do país quando assumiu, e ganhou a queda de braço com a “raposa” Juvenal Juvêncio tirando o Morumbi da Copa.

É de longe o presidente mais realizador da história do Corinthians.

Com ele o clube saiu das alamedas do Tatuapé e botou a cabeça no mundo.

Mesmo assim tem seus rompantes de torcedor e às vezes com razão, outras sem nenhuma razão, se sente muito perseguido por correligionários, imprensa e até gente do futebol mesmo.

De vez em quando baixa o Andrés torcedor de novo e é quando dá grandes e polêmicas declarações.

Aprendeu depressa o ofício e parece ter gostado do poder. Não sairá do futebol tão cedo e talvez mais à frente o caminho seja a política.

Filiado ao PT, já se falou que poderia concorrer a cargos na cidade de São Paulo e como pensa grande, a Prefeitura da cidade estaria bem para começar.

Se conseguisse agitar a cidade como agitou os últimos anos do Corinthians não seria tão ruim assim.

Ele pode virar também uma espécie de fiscalizador oficial do Corinthians nas obras do Itaquerão, afinal foi Andrés que conseguiu convencer o corintiano Lula que ali era o melhor local e o melhor estádio para a abertura da Copa aproveitando bem a intenção da Fifa que gosta de estádios novos para o seu evento, desde que a dívida não seja dela.

O sonho futuro, se não for no caminho da política pura, seria a presidência da Confederação Brasileira de Futebol (CBF).

Ricardo Teixeira fica até 2015 por uma lei fantasiosa que existe no Brasil que mantém no cargo todo dirigente esportivo de Confederação e Federação até depois da Copa-2014.

Teixeira se aproveitou disso para ficar no poder mais um tempinho e aqui em São Paulo, Marco Polo Del Nero foi no mesmo embalo.

Não sei como nenhum dirigente de clube ainda não pediu a extensão do seu mandato como um apêndice dessa excrescência chamada de lei.

Quem sabe algum juiz de primeira instância dá uma liminarzinha e até ela ser julgada a Copa já acabou, quem sabe?

Acho que eu não deveria ter dado a idéia, mas agora já foi.

O que se comenta nos bastidores é que Andrés se enfraquecerá como dirigente esportivo assim que deixar o cargo de presidente do Corinthians.

Não há político forte sem cargo. Virá outro no lugar e esse terá mais espaço, mesmo que não tenha a mesma competência.

Assim tem sido a história. Talvez por isso que Andrés queira continuar nos holofotes em algum cargo que lhe dê alguma visibilidade.

Apesar da sua conversa “fecal”, igual a de Teixeira, ele deixa um legado melhor que o do presidente da CBF.

Se for para a CBF vai ter que limpar o “montão” que o outro fez, mas continuará na mesma “merda”

É, parece que o futebol brasileiro continuará se chafurdando cada vez mais. Haja desinfetante e papel higiênico.

quarta-feira, 2 de novembro de 2011

RICARDO TEIXEIRA VAI DEIXAR A PRESIDÊNCIA DA CBF


Por James Akel

O próximo caso de escândalo divulgado nas revistas vai ser o escândalo de Ricardo Teixeira.
O Palácio, leia-se Dilma, não suporta a continuidade de Ricardo na CBF.
Logo vai aparecer na Veja uma coleção de fatos contra Ricardo de um jeito que ele vá ter que renunciar.

sábado, 22 de outubro de 2011

Quem acredita na Fifa?

Por Vitor Birner


A Fifa anunciou que seu Comitê Executivo irá divulgar em dezembro o dossiê ISL.
Segundo órgãos de imprensa ingleses, ele pode comprovar o pagamento de propina para Ricardo Teixeira.
Sou cético.
Tenho impressão que a Fifa se manifestou, antes de qualquer coisa, por estar preocupada com seu desgaste da imagem.
E explico:
A dona do futebol mundial demorou muito para tornar público o tal dossiê.
E irá fazê-lo apenas em dezembro.
Por que não mostra o dito cujo agora e termina o desagradável diz que diz?
Meu ceticismo tem outra razão mais revelantes que a questão do tempo.
Quando pôde deixar claro que prorizava o combate aos casos de corrupção, a Fifa fez o contrário na hora de escolher a a sede do mundial em 2018.
A Inglaterra, que trata o futebol de forma séria, possui o campeonato nacional de maior sucesso, belos estádios e boas condições de transporte público, perdeu para a Rússia que precisará melhorar tudo.
Há um índice de percepção de corrupção divulgado todos os anos pela Transparência Internacional.
As nações mais bem posicionadas no ranking são consideradas as menos corruptas.
O Reino Unido, do qual faz parte a Inglaterra, ficou na vigésima colocação em 2010 (último ranking divulgado).
Os russos ficaram na vergonhosa posição de número 154.
Para você ter uma idéia do que isso representa, o Brasil, nacão muuuuuuuuito longe de primar pela honestidade e justiça, é o número 69 do ranking. (link no fim do post para você ver a lista completa)
Não estou dizendo que há safadezas na escolha da Rússia. O Catar, eleito em 2022, é o 19 do ranking.
Apenas acho que qualquer criança sabe que a chance de ilegalidades acontecerem na Inglaterra é muito menor.
Se a Fifa realmente estivesse muito preocupada com honestidade e transparência, teria escolhido os britânicos ao invés dos russos.
Os ingleses, além de mais bem posicionados nos ranking, mereciam, pela forma como tratam o futebol, receber o torneio.
Este blogueiro careca até hoje não entende a curiosa escolha da Fifa.
O link abaixo tem o ranking da corrupção, o relatório (em inglês) da Transparência Internacional e reportagem do Uol sobre o assunto.

sexta-feira, 19 de agosto de 2011

CBF sinaliza que paciência com Mano está perto do fim

Mano Menezes
Por Ricardo Perrone


A convocação da seleção para um simples amistoso contra Gana ganhou uma importância de jogo de campeonato para Mano Menezes. A CBF dá sinais de que não irá segurá-lo se as vitórias não voltarem rapidamente.
Nos corredores da entidade, ouve-se que Mano está prestigiado por Ricardo Teixeira. Mas precisa vencer logo. A paciência do cartola está chegando ao fim. Não estava nos planos trocar de técnico agora, mas a situação está cada vez mais delicada. O treinador sabe que o momento é crítico. Já recebeu a sinalização do chefe.
Enquanto isso, gente ligada a Teixeira, mas sem autorização do cartola, faz barulho sondando a situação contratual de Luiz Felipe Scolari no Palmeiras.
O momento crítico talvez explique em parte a convocação de Ronaldinho Gaúcho, jogador que não deve estar na Copa de 2014, ma pode ser útil para salvar a pele do técnico. Justamente no momento em que está com menos moral na CBF, Mano abandonou a insistência com André Santos, em péssima fase e agenciado por Carlos Leite, empresário do técnico. Renato Augusto, outro cliente do agente, também ficou de fora.

terça-feira, 16 de agosto de 2011

Resultado contra Argentina poderá ser decisivo para Mano

Mano Menezes
O rendimento da Seleção Brasileira sob o comando do técnico Mano Menezes está longe de ser convincente, haja visto que só venceu jogos contra seleções consideradas inferiores. Treinado por Mano, o Brasil  entrou em campo 13 vezes, vencendo seis partidas, empatando quatro e perdendo três.

Inclusive, nosso blog abriu uma enquete para saber se o nosso leitor acredita que está na hora de Mano deixar seu cargo. 

Fato é que, apesar da 'confiança' que o presidente da CBF, Ricardo Teixeira, tem pelo técnico, outros fatore$,  pedem pela cabeça de Mano. 

Há rumores, que poderão ser decisivos os resultados em cima da Argentina, pela Copa Roca, que será realizada em setembro, na permanência do ex-corinthiano no comando do Brasil.

Antes disso, a seleção pega o Egito, lá no Cairo, longe da torcida brasileira, no dia 6 de setembro. 

O Superclássico contra os hermanos será disputado em dois jogos, o primeiro no dia 14, na Argentina e o segundo no dia 28, em Belém

No mês seguinte, os adversários serão Costa Rica, no dia 7, e o México, no dia 11, ambos fora de casa. 

Finalizando, em novembro (dia 11), teremos mais um 'desafio' contra o Gabão, lá na África e no dia 15, o último jogo será contra a Suíça ou a Inglaterra (ainda a confirmar).

Vale a pena lembrar que nesta quinta-feira (18), Mano Menezes convocará a seleção para o amistoso contra o Egito.

sábado, 13 de agosto de 2011

CBF e TV acabam com os jogos do Campeonato Brasileiro às 21h

Por Robson Morelli

A CBF acabou com os jogos das 21 horas por falta de torcedor no estádio e pouca audiência na tevê fechada. A experiência durou 15 rodadas na Série A do Campeonato Brasileiro e 16 na Série B. E até que durou demais. Nem mesmo os jogadores gostavam de atuar nesse horário, apesar de ter o domingo de folga e um dia a menos na concentração.

Ocorre que os jogadores estão acostumados com o horário das 16 horas de domingo e 18h30 do sábado. Se pudessem, jogariam sábado e domingo às 16. Mas a tevê exige e precisa das partidas mais tarde para preencher suas grades. Apostou que jogos às 21 seriam uma boa. Não foram. E abortaram a programação. Quem ganhou foi o torcedor, que terá mais jogos em horários normais.

quinta-feira, 11 de agosto de 2011

Romário entrevista Andrew Jennings (Mrs. Teixeira?)

Andrew Jennings
Por Romário



O jornalista escocês Andrew Jennings é repórter investigativo há 30 anos e comanda um programa de grande audiência na TV inglesa BBC. Depois de investigar a máfia italiana, a corrupção na Scotland Yard (policia inglesa), há 13 anos comprou uma guerra com a poderosa Federação Internacional de Futebol (FIFA). Passou, então, a ser o principal inimigo dos dirigentes esportivos internacionais.
Descobriu, entre outras coisas, que as eleições internas são compradas, há manipulação de resultados de jogos e negociatas para a escolha de países-sedes da Copa do Mundo. Reuniu tudo no livro, recém-lançado no Brasil: Jogo Sujo, o Mundo Secreto da FIFA. “São negócios que fariam corar a máfia italiana”, afirmou Jennings.
Romário – Há quanto tempo você vem investigando a corrupção no esporte?
Andrew Jennings – Eu tenho sido um repórter investigativo há 40 anos e 20 anos atrás eu estava investigando a máfia de Palermo e as suas operações na Europa, Reino Unido e América do Norte. Um dia, durante as filmagens em Palermo, fiquei frente a frente com um mafioso muito irritado, que nos mandou parar de filmar.
Esta experiência e entendimento de como as famílias do crime organizado operam foi o treinamento perfeito para o próximo alvo – as federações esportivas internacionais. Eu pensei que este trabalho não iria durar muito tempo. Vinte anos depois ainda estou desenterrando evidências de corrupção – especialmente na FIFA! Não tenho dúvidas de que a FIFA é uma família do crime organizado e que Blatter (presidente da FIFA) mantém a sua influência distribuindo fartamente ingressos da Copa do Mundo.
Romário – Por que está tão interessado em Ricardo Teixeira, na CBF e no envolvimento deles na Copa do Mundo de 2014?
Andrew Jennings – Qualquer fã – ou repórter – tem de estar interessado em quem está hospedando a próxima Copa do Mundo e como os preparativos estão indo. Após a corrupção na África do Sul quando tantos estádios de futebol desnecessários foram construídos – e os lucros que foram para políticos e empreiteiros corruptos – o Brasil, que ainda tem de superar a pobreza, será analisado pelo resto do mundo. Globalmente, não há confiança na CBF.
Há também pouca confiança nas demonstrações freqüentes do secretário-geral da Fifa, Jerome Valcke, de que o Brasil não está se preparando rápido o suficiente. Se isso é verdade ou não, de qualquer maneira, observadores internacionais notam a relação calorosa entre Teixeira e Valcke.
O Brasil precisa resistir à pressão da FIFA.
Estou certo de que nos últimos anos, Blatter prometeu a Teixeira que o brasileiro seria o próximo presidente da Fifa. Mas com os dois envolvidos em tantos escândalos, isso é menos provável.
Dep. Romário
Romário – Quem é Ricardo Teixeira, no contexto do futebol internacional?
Andrew Jennings – Poucos fãs fora do Brasil não reconheceriam Teixeira na rua. Aqueles que o conhecem veem um homem que se tornou rico e poderoso explorando o futebol brasileiro e a FIFA. As notícias internacionais expõem histórias sobre seu envolvimento em contratos duvidosos da Copa do Mundo.
Teixeira está permanentemente envergonhado pelo relatório Dias de 2001 (refere-se ao relatório elaborado pelo senador Álvaro Dias durante a CPI do Futebol), que foi relatado internacionalmente.
“Tricky Ricky ‘ o apelido de Ricardo Teixeira, está agora se espalhando ao redor do mundo.
Romário – Como o Brasil conquistou o direito de sediar a Copa do Mundo de 2014?
Andrew Jennings – Blatter, o poderoso chefão da mafia, tem que manter seus Sub-Chefes ao redor do mundo felizes. Ricardo queria sua própria Copa do Mundo para saquear. A melhor maneira de Blatter mantê-lo fiel era deixá-lo organizar a Copa de 2014. Depois que a África do Sul foi roubada em 2000, quando perdeu a sede da Copa do Mundo de 2006 – subornos foram pagos em nome da Alemanha – a África ficou furiosa. Blatter apressadamente introduziu a idéia de girar a Copa do Mundo entre os continentes. Em seguida, a África do Sul conseguiu sediar o evento em 2010 e 2014 foi prometida à América do Sul. Vocês (brasileiros) têm que descobrir que negócios foram feitos secretamente entre Teixeira e o resto dos países que formam o Comnebol.
Romário – Você se refere aos segredos em Zug? O que é essa história?
Andrew Jennings – Este é o grande escândalo da FIFA, maior do que qualquer outro que a instituição já se envolveu. Um verdadeiro espectro que tem assombrado Blatter, Teixeira e João Havelange na última década. Nas duas décadas passadas foram pagos grandes subornos por uma empresa suíça de marketing esportivo em retorno por terem sido concedidos contratos lucrativos para a Copa do Mundo FIFA. Essa empresa, ISL, foi à falência no início de 2001 e os gângsters na FIFA têm tentado desesperadamente, desde então, minar as investigações realizadas por promotores criminais.
Andrew Jennings
Romário – Que tipo de suborno estamos falando?
Andrew Jennings – Sentei em um tribunal suíço em março de 2008 e ouvi um juiz revelar que a ISL havia pago cerca de US$ 100 milhões em subornos para obter os seus contratos. Os repórteres no tribunal ficaram surpresos com o valor. $ 100 milhões em subornos! Esta seria a maior história de corrupção na história da FIFA – e talvez do esporte mundial.
Romário – E as investigações continuaram?
Andrew Jennings – Esse caso tratava como os administradores da ISL tinham se comportado mal. As investigações da polícia continuaram em relação aos subornos e o caso foi resolvido fora do tribunal, no verão do ano passado – o anúncio foi feito durante a Copa do Mundo na África do Sul e teve pouca atenção. A declaração formal do procurador em Zug disse: juiz de instrução Thomas Hildbrand, em agosto de 2008, começou uma investigação sobre alegações de que certos membros do Comitê Executivo da FIFA receberam propina em contratos de marketing. Após cinco anos de investigações os acusados concordaram em pagar CHF5.5million e o caso foi encerrado.”
Romário – O que isso significa, em poucas palavras?
Andrew Jennings – Os três alvos da investigação tinham que confessar que sabiam sobre os subornos e que dois deles tinham aceitado propinas. Pagaram uma parte do dinheiro e, assim, garantiram o sigilo de suas identidades. Essa é a maneira suíça judicial de resolução de alguns casos criminais.
Romário – E a história acabou?
Andrew Jennings – Certamente que não. Nosso dever como jornalistas da BBC foi para descobrir quem havia admitido tomar o suborno. Sentimos que o mundo tinha o direito de saber.
Romário – Então o que você fez?
Andrew Jennings – Como todo repórter faz, nós fizemos inquéritos confidenciais na Suíça e soubemos muito mais. Assim, em 23 de maio deste ano eu apresentei um programa Panorama BBC no qual dei o nome do Ricardo Teixeira e do João Havelange como os dois funcionários da FIFA que haviam admitido ter recebido subornos. Eu também denunciei a FIFA – e aqui nós só podemos estar falando de Blatter – admitindo que o dinheiro devido à FIFA, da ISL, tinha sido desviado em subornos.
Romário – Você tem sido justo com Ricardo Teixeira?
Andrew Jennings – É claro. A BBC insiste que qualquer pessoa denunciada em um programa tem tempo suficiente para responder às acusações e nos conceder uma entrevista. Para ambos os programas nos quais citamos Teixeira – novembro do ano passado e maio deste ano – enviamos dois e-mails cada vez, informando-o das nossas alegações e convidando-o a participar do programa para contar o seu lado da história.
Romário – Como ele reagiu?
Andrew Jennings – Ele nunca respondeu. Ele ignorou e não aproveitou a oportunidade para negar qualquer coisa. Ao contrário, ele atacou a BBC e o jornalismo britânico como “corruptos. ‘Isso não é resposta para denúncias tão sérias e graves que estão documentadas.
Dep. Romário
Quais são os documentos que você tem para provar que Teixeira – e Havelange – aceitaram suborno?
Para o nosso programa em novembro do ano passado consegui uma lista de 165 subornos pagos pela ISL a à maioria dos funcionários da FIFA – os US $ 100 milhões. Nós mostramos a lista na TV – destacando os nomes de Teixeira e Havelange. Nós também temos mais evidências de que Teixeira tinha aceitado cerca de US$ 10 milhões por meio de uma empresa chamada Liectenstein Sanud.
Romário – Por que foi tão importante?
Andrew Jennings – No relatório do senador Alvaro Dias, de 2001, sobre a corrupção na CBF, o parlamentar brasileiro identificou esta empresa estrangeira (Sanud) como sendo a fonte de dinheiro que foi para Teixeira. Mas ele não conseguiu descobrir e rastrear onde Sanud conseguiu o dinheiro. Mas nós encontramos – muitas vezes – na lista de propinas pagas pela empresa ISL. Assim, o dinheiro era lavado da Suíça para Liechtenstein e depois para o Brasil. Continua sendo uma decepção que o Ministério Público brasileiro não tenha agido sobre o as revelações do relatório apresentado pelo senador Álvaro Dias.
Romário – O que pode acontecer agora?
Andrew Jennings – Investigamos e descobrimos que na lei suíça, é possível obter o relatório secreto da polícia revelando quem recebeu o suborno. Agora temos de convencer um tribunal suíço que é de interesse público a divulgação desta evidência. Isso vai acontecer – há um precedente legal importante.
Romário – O que você está fazendo para provar que Teixeira é um dos que aceitaram suborno?
Andrew Jennings – A BBC e alguns meios de comunicação suíços – e eu acredito que um jornal brasileiro – começaram um processo judicial formal na Suíça. O Ministério Público em Zug diz que está preparado para divulgar as provas, mas ele está sendo contestado pelos homens acusados. Eles (os acusados) estão gastando grandes somas com advogados suíços para argumentar contra a publicação desta informação.
Parte do processo é que nos são dadas cópias das razões pelas quais a publicação está sendo bloqueada. Os advogados suíços dizem que seus clientes sofreriam “cobertura negativa da imprensa.” Sua reputação seria “danificado irreparavelmente.” Eles podem até sofrer ‘roubo ou seqüestro. “Estas cartas, judicialmente legais, identificam a FIFA, mas os outros dois homens são chamados de B2 e Z . A partir das descrições dadas temos evidências adicionais de que eles são Ricardo Teixeira e João Havelange.
Romário – Quanto tempo levará para o relatório secreto ser revelado?
Andrew Jennings – Pode demorar até 12 meses. O tribunal de Zug nos apoiou em 24 de maio, e agora os bandidos estão apelando para a próxima esfera. Eventualmente, ele vai acabar no Supremo Tribunal de Lausanne e estamos confiantes de que vamos obter os documentos e os culpados serão expostos.
Romário – Qual é a importância disso? O último suborno foi pago no início de 2001?
Andrew Jennings – As implicações são enormes. FIFA e os dois brasileiros serão expostos como bandidos. O mundo vai aprender que o homem encarregado da Copa de 2014 é corrupto. O dano à reputação do Brasil será imensa.
Romário – O que o Congresso do Brasil e o governo brasileiro devem fazer?
Andrew Jennings – É o momento para a presidente Dilma Rousseff tomar medidas para encerrar este escândalo. Meu conselho é que ela deve chamar Teixeira e dizer: ‘Por favor, venha ao meu escritório – e traga todo o processo que corre na Suíça com você. Eu quero ver esse relatório secreto e toda a correspondência na qual você está tentando bloquear da divulgação da mídia de alguma coisa de que você está sendo acusado de ter feito. “
Romário – E se ele se recusar?
Andrew Jennings – Então ele deve ser despejado rapidamente de qualquer parte da organização de 2014. E deve ir com sua família e aliados. Uma faxina no Comitê Organizador Local. Há uma abundância de talento no Brasil para substituí-los e produzir um grande torneio com o orçamento disponível.
Romário – O que mais pode ser feito?
Andrew Jennings – O Congresso Nacional também deve pedir para ver estes documentos suíços. E o Governo, por meio do Ministério das Relações Exteriores, também deve requerer junto ao governo suíço que os documentos se tornem públicos. É do interesse nacional do Brasil saber o que está acontecendo.
Romário – Ricardo Teixeira afirma que a BBC é controlado pelo governo britânico.
Andrew Jennings – Isso é um absurdo e ele deve saber isso. A BBC é totalmente independente de qualquer governo. Você deve se lembrar que, quando estávamos preparando o nosso programa em novembro do ano passado, o primeiro-ministro britânico David Cameron nos atacou por causa dos danos que poderiamos causar à candidatura dele na Inglaterra. Ele pareceu não compreender que a Inglaterra não pagar subornos, nunca poderíamos vencer.
Romário – Mas Ricardo Teixeira também diz que seus programas na BBC que o identificam como corrupto representam uma vingança porque a Inglaterra perdeu a sede da Copa do Mundo de 2018?
Andrew Jennings – Isso é um absurdo. Fizemos nosso primeiro programa expondo a ISL subornos aos altos funcionários da FIFA em Junho de 2006! O segundo programa, sobre as propinas pagas pela Alemanha, foi exibido em 2007 e o primeiro a identificar Ricardo Teixeira foi transmitido em novembro passado, três dias antes da votação para 2018 e 2022. Nosso dever como livre e independentes jornalistas britânicos foi para avisar o que iria acontecer na votação. E assim foi. E, claro, nós fizemos esses programas para demonstrar para a Inglaterra e para o resto do mundo que a única maneira de ganhar o direito de sediar o torneio é pagar subornos.
Romário – Algo mais a acrescentar?
Andrew Jennings – Adoro visitar meus amigos no Brasil e estou ansioso para um grande torneio no Brasil, em 2014, com o Ricardo Teixeira fora da organização. E que todos os orçamentos sejam públicos – para evitar a corrupção. Assim teremos uma grande festa!